Como os amigos desmontam o nosso jogo (e por que pedimos isso a eles)
Não temos uma equipe de QA. Temos algo melhor: amigos sinceros.
O Bastian e a primeira hora. O Bastian levou o jogo a sério — e morreu. De novo e de novo, antes mesmo de a diversão começar. Chegaram três relatos seguidos: "Eu fico morrendo de fome — e nem consigo achar sementes!" (O kit inicial não tinha comida, e o jogo nunca explicava que se comem frutinhas, não sementes.) "O robô atira através da parede — e eu só tenho um facão!" (Os inimigos perseguiam os jogadores através de rocha sólida, e o facão corpo a corpo era mais curto que a mordida do inimigo.) E: "No Linux parece travado em 30 fps." Um lançamento inteiro depois girou só em torno dos primeiros minutos: rações iniciais, uma Pistola de Sucata para se defender, linha de visão obrigatória para todos os inimigos, um interruptor de VSync. Os relatos do Bastian praticamente escreveram esse changelog sozinhos.
O Severin e as sete descobertas. Mais tarde o Severin testou — e encontrou outro tipo de problema: os silenciosos. Não havia Menu de pausa no Esc. As configurações só valiam depois de reiniciar. O indicador de oxigênio não revelava que dava para respirar neste mundo. O ferro estava lá, mas ninguém pensava em cavar para baixo. Sete itens, todos corrigidos, e o Severin agora está nos créditos — como todo mundo que nos ajuda assim.
O padrão por trás disso: quem desenvolve testa o que construiu. Os amigos testam o que existe. Eu já não consigo viver a primeira hora de jogo sem viés — afinal, sei onde está o ferro. Um amigo não sabe. É justamente por isso que o fracasso dele vale mais do que o meu sucesso.
Se vocês estiverem testando o jogo e travarem em algum ponto: apertem F1 e escrevam. Vocês não estão nos fazendo um favor — vocês estão fazendo o jogo.
Comentários